A 21.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto está a decorrer esta tarde nas ruas do centro da cidade, reunindo centenas de pessoas. Sob o lema “Por Gisberta, Por um Abril que ainda não aconteceu!”, a iniciativa assinala os 20 anos da primeira marcha na Invicta e evoca a memória de Gisberta Salce, a mulher transexual brasileira assassinada no Porto em 2006, servindo simultaneamente de aviso para o que a organização considera ser um atual retrocesso na defesa dos direitos humanos.

A concentração começou cerca das 15h30 na Praça da República, de onde o cortejo partiu para percorrer o centro histórico da cidade. Luís Torres, em representação da comissão organizativa, sublinhou à agência Lusa que o evento se divide entre a celebração das duas décadas de ativismo na cidade e a necessidade de alertar para novas vulnerabilidades sociais. Segundo o responsável, a atual crise na habitação e na saúde, a par de alterações legislativas recentes, penaliza as franjas mais frágeis da comunidade, potenciando situações de isolamento ou de sem-abrigo semelhantes à que vitimou Gisberta Salce.

Ao longo do percurso, a manifestação junta também serviços de rastreio e prevenção na área da saúde sexual, além de diversas performances artísticas e momentos de animação musical. Entre os manifestantes e as várias associações presentes, destaca-se a mensagem de que a iniciativa funciona como uma ferramenta pedagógica essencial no combate à ignorância e ao tabu social que ainda persistem em torno da realidade sexual.

O desfile tem como destino final o Largo Amor de Perdição. É aí que, pelas 18h00, estão previstas as habituais intervenções políticas de encerramento por parte dos coletivos organizadores, seguidas de vários momentos de animação cultural que fecharão a edição deste ano.