Com mais de 150 anos de história, o emblemático desfile da Foz do Douro, no Porto, foi oficialmente inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), de acordo com o anúncio publicado no Diário da República.

A decisão, assinada por João Soalheiro, presidente do conselho diretivo do Património Cultural – Instituto Público (PC-IP), surge após a candidatura ter estado em consulta pública desde o início de fevereiro. A oficialização destaca o evento como um verdadeiro reflexo da identidade da comunidade local, valorizando os processos sociais e culturais que lhe deram origem e que mantêm a tradição viva na atualidade.

Uma tradição secular da Foz

O Cortejo dos Trajes de Papel é o ponto alto das Festas de São Bartolomeu, cujas práticas rituais remontam, pelo menos, ao início do século XIX. A organização do evento está a cargo da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde e realiza-se anualmente no mês de agosto.

A tradição destaca-se pelo seu profundo caráter identitário e pela clara valorização do trabalho manual envolvido na criação dos fatos de papel. O desfile conta habitualmente com cerca de 500 figurantes e atrai milhares de espetadores às ruas da Foz. O peso cultural desta manifestação é tal que o cortejo é, desde 2023, candidato a Património Imaterial da UNESCO.

O “Banho Santo” e as crenças populares

O desfile culmina sempre na praia do Ourigo, com um dos momentos mais singulares da tradição nortenha: o “banho santo”. A prática está envolta numa forte componente de fé e crença popular:

  • A data: Os fiéis acreditam que a 24 de agosto, Dia de São Bartolomeu, o santo encarna nas águas do mar.

  • O propósito: A população mergulha nas águas da Foz em busca de proteção divina.

  • A cura: Segundo a tradição popular, este banho protege contra males de pele, gaguez e até potenciais efeitos demoníacos.