O FC Paços de Ferreira vai votar, em Assembleia Geral extraordinária, a venda faseada do capital da SAD, uma medida que a direção considera essencial para garantir a sobrevivência do clube. A proposta surge num contexto de dificuldades financeiras e poderá avançar ainda este mês.

O presidente Rui Abreu defende que a transformação da SDUQ em SAD e a entrada de investidores são determinantes para estabilizar as contas e evitar cenários mais graves, como a impossibilidade de inscrição nas competições. “Para o Paços de Ferreira esta é uma questão de sobrevivência”, afirmou.

A proposta prevê a venda inicial de 49,90% do capital social a investidores estrangeiros, maioritariamente da América do Sul, podendo essa participação aumentar até 80% nos anos seguintes. A identidade dos investidores será revelada apenas aos sócios, na reunião agendada para 21 de abril.

Segundo Rui Abreu, o modelo atual é insustentável face ao passivo existente, alertando que manter a estrutura atual poderá levar o clube a “definhar até morrer”. As negociações com potenciais investidores decorrem desde dezembro de 2025, após o fim do acordo com a Matchpoint, empresa liderada por Luiz Meira.

O plano salvaguarda o controlo da formação por parte do clube, com exceção da equipa de sub-19, e inclui a possibilidade de criação de uma equipa de sub-23. A médio prazo, a ambição passa pelo regresso à I Liga, embora sem pressão imediata.

A decisão dos sócios surge numa fase delicada também no plano desportivo, com o Paços de Ferreira a ocupar o 15.º lugar da II Liga, a poucas jornadas do fim da competição.