Foi a 4 de março de 2001 que colapsou a ponte Hintze Ribeiro, uma das maiores tragédias em Portugal. A ponte, que ligava Entre-os-Rios a Castelo de Paiva, caiu inesperadamente sobre o Rio Douro. Consigo levou um autocarro e três automóveis. 59 pessoas perderam a vida há 25 anos.
Foi às 21 horas e 15 minutos, precisamente, que a estrutura cedeu. No autocarro seguiam 53 passageiros e três viaturas ligeiras com os restantes seis. Os elementos foram rapidamente engolidos pelas águas.
No local estiveram meios de emergência de várias regiões. Dias antes, as condições meteorológicas não foram as melhores. Foram registadas fortes chuvas e o caudal do rio Douro estava elevado, o que dificultou a procura das vítimas e dos veículos.
Apenas 23 corpos foram encontrados. Os outros desapareceram por completo.

Depois da tragédia foram realizadas investigações para apurar a causa do incidente. O quarto pilar da ponte pode ter caído por causa da erosão das fundações, provocada pela força das correntes e pelo desgaste acumulado. A extração intensiva de areias no leito do Douro, realizada durante vários anos, foi identificada como um dos fatores que enfraqueceu a estabilidade da estrutura.
A ponte também apresentava sinais de degradação. Aliás, esta tinha sido construída entre 1884 e 1997, no período em que o país queria expandir as infraestruturas ferroviárias e rodoviárias. Até ao desastre já tinham surgido vários pedidos de substituição.
A ponte centenária era frequentemente utilizada pela população de Castelo de Paiva, uma vez que necessitavam dela para aceder a muitos outros serviços. Prova disso foram as 54 pessoas que morreram, habitantes deste concelho. A tragédia teve um impacto significativo para várias famílias.
Depois do desastre, a mobilidade foi fortemente afetada. As populações viram o acesso limitado. A passagem passou a ser feita por barcos e ligações provisórias até à construção de uma nova ponte rodoviária. Esta nova ponte foi inaugurada no ano seguinte.
No local do acontecimento foi construído um memorial às vítimas. “Anjo de Portugal” é assim que a escultura é conhecida e apresenta os nomes das 59 pessoas que perderam a vida.
Ainda hoje, há uma comunidade afetada, memórias que não se esquecem, nem se perdem com o tempo. Todos os anos são lançadas 59 flores ao rio Douro. Familiares, autarcas e habitantes juntam-se para assinalar esta data e recordar os que partiram.