5 roadtrips para percorrer Portugal neste outono

5 roadtrips para percorrer Portugal neste outono

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Quinta-feira, 08 Novembro 2018
Curiosidades

N247 / Cascais a Peniche / 100 km

 

 

 

 

Nem sempre é preciso andar centenas de quilómetros para se fazer uma grande viagem. A improvável N-247 é disso um bom exemplo. Mais ainda quando se vai num Triumph do anos 60, como foi o nosso caso. Mas não é preciso ir de clássico nem de cabriolet – já o fizemos noutros veículos e a sensação é (quase) a mesma. Menos de 100 quilómetros, entre Cascais e Peniche que, ao ritmo certo – devagar, devagarinho – se estende por um dia, ou mais. Até porque porque pontos de paragem não faltam. Desde logo o Núcleo de Interpretação duna da Cresmina, junto ao Guincho. Depois? Depois já se sabe, o Cabo da Roca, a Serra, o Atlântico, a Adraga, a Praia Grande, a Praia das Maçãs, as Azenhas do Mar, Colares, Sintra e, a partir de metade do percurso, Ericeira, Santa Cruz, Lourinhã… o Oeste. É verdade que a região tem fama de temperamental – a névoa, a omnipresente névoa – mas possui também um encanto próprio. Os campos de milho, de batata doce, a terra lado a lado com o mar. O cheiro e alma de província. E o peixe, é claro, no Clube Naval da Praia da Assenta. Já foi mais ou menos concorrido e mais barato, mas continua a valer a pena. Garoupa, corvina, pargo, sargo, robalo ou pampo, sempre fresco. Santa Cruz e o Noah bar (o bar estrela local) também merecem um desvio. Com ou sem desvios, todos os caminhos vão dar a Peniche e ao Baleal, península/paraíso para surfistas. Quem tiver prancha vai à água, quem não tiver pode ir também. Escolas não faltam.

 

 

 

 

N118 / Alcochete a Alpalhão / 200 km

 

 

Casa Cadaval, em Muge (Salvaterra de Magos); Quinta da Lagoalva de Cima, em Alpiarça; Quinta Casal Branco, em Palmeirim; Companhia das Lezírias, entre Porto Alto e Alcochete. Todas estas (e outras) casas estão em plena Nacional 118, ou a poucos minutos da beira da estrada. A estrada perfeita para conhecer dos vinhos e paisagem ribatejanos, tantas vezes subvalorizados. Cerca de 200 quilómetros, sempre junto à margem esquerda do Tejo, desde Alcochete a Alpalhão, já no Alentejo. Um via construída para que os produtos agrícolas pudessem chegar a bom porto, depois do rio se ter esvaziado das suas funções comerciais. Diz a Wikipédia – toda a gente vai à Wikipéida – que é das estradas nacionais mais fáceis de conduzir, devido ao seu traçado quase sempre plano e retilíneo. Verdade, dizemos nós que, além da internet, também vamos para estrada. Não será a mais estimulante do ponto de vista da condução e mesmo de paisagem, mas tem várias camadas. O troço ideal para entrar no coração ribatejano e ir de encontro a alguns pequenos segredos mal guardados, como as aldeias avieiras do Tejo. Foi o tema de capa da primeira Evasões 360 e não nos cansamos de lá voltar. Estacionar o carro e fazer um passeio de barco por entre margens repletas de aves e habitadas por cavalos em estado semi-selvagem. Um Ribatejo quase tropical. Quem não se importar de fazer um desvio – não há road trips desvios – vale a pena uma visita ao restaurante Taberna Ó Balcão, em Santarém, a cargo do chef Rodrigo Castelo. Comida ribatejana de eleição. Do campo e do rio.

 

 

N222 / Vila Nova de Gaia a Vila Nova de Foz Côa / 226 km

 

Já tanto se escreveu sobre esta estrada. Porque é uma das melhores do mundo para conduzir – dizem os especialistas. E repetem os jornalistas, mil e uma vezes. Vamos repetir só mais uma vez. Em 2015, a Avis criou uma espécie de fórmula mágica – cientifica na verdade – e o resultado determinou que o troço entre o Peso da Régua e o Pinhão era o mais completo do mundo para conduzir. 27 quilómetros de puro deleite, com as retas, curvas e contra-curvas no sítio certo. De tal forma que o número de aceleras que por por ali passavam para verificar com as suas mãozinhas se a fórmula estava correta quase se transformou num problema. Até se esqueciam de ver a paisagem, Património Mundial. O entusiasmos inicial já passou, ainda assim algum cuidado extra nunca é demais. Diga-se, contudo, que a estrada é muito mais do que estes 27 quilómetros. São 226, uma via que corta o país do litoral ao interior, de Vila Nova de Gaia a Vila Nova de Foz Côa e que junta três destinos Património da Humanidade: o centro histórico do Porto, o Alto Douro Vinhateiro e as Gravuras Rupestres do Côa. Saíndo do Porto é preciso alguma paciência, pelo tráfego e pelo relevo, mas à medida que os quilómetros ficam para trás vai chegando a recompensa, não estivesse o rio sempre à espreita. Não há melhor estrada para perceber o rio, a região e a forma como as comunidades se organizaram à sua volta. Onde comer? Toca da Raposa, por exemplo, em Ervadosa do Douro.
Digam que vão da nossa parte.

 

N124 / Portimão a Alcoutim / 140 km

 

 

Silves, São Bartolomeu de Messines, Alte, Salir, Barranco do Velho, Rocha da Pena, Cachopo, Martinlongo, quantas pessoas que vão ao Algarve todos os anos, algumas várias vezes ao ano, conhecem estas terras? Ficam junto à Nacional 124. Escolhemos esta estrada como poderíamos ter escolhido a Nacional 267, que liga Aljezur a Monchique. Porquê? Porque há outras vias e, sobretudo, mais Algarve, para além da Via do Infante da Nacional 125. Porque atravessam um Algarve que a maior parte das pessoas nem sonha que existe. Um Algarve interior – só num país como o nosso se pode chamar interior a locais que ficam a 20 quilómetros do litoral –, genuíno, com uma natureza e vegetação surpreendentes, repleto de pequenas serras, bosques, alfarrobeiras e medronheiros; um Algarve repleto de produtos regionais, como o medronho, os licores, os doces de alfarroba ou de figo, um incrível variedade de tomates e bom vinho, cada vez mais e melhores vinhos; um Algarve para ser visto pela janela do carro, mas também para andar de bicicleta ou a pé – a Rocha da Pena, entre o barrocal e a Serra do Caldeirão recebe todo os verões um ultra trail. Existe há muitos anos uma via – Via Algarviana (viaalgarviana.org) com uma extensão de 300km, que liga Alcoutim ao Cabo de S. Vicente, quase sempre pela serra. Onde comer? Pergunte. Faz parte do encanto das road trips. Se não encontrar ninguém na estrada (algo que às vezes acontece neste Algarve) têm sempre a Tia Bia, em Barranco do Velho.

 

 

EN255 Borba a Serpa / 132 km

 

 

 

Sobre o Alentejo já quase tudo se disse. Se sobre o Ribatejo ou Algarve (Interior) continua a haver alguma desconfiança e muito desconhecimento, em relação ao Alentejo é precisamente o contrário. Quem é que não tem ou teve uma paixão, no mínimo, uma paixoneta pela região? Qual a melhor estrada? Se há região portuguesa em que quase podemos fechar os olhos e escolher no mapa uma estrada ao acaso é o Alentejo, mas esta terá um encanto espacial. Porque passa por terras como o Borba, Vila Viçosa ou Monsaraz, sim, pela comida, é claro – e o vinho, o vinho – mas essencialmente porque é uma via direta, para o Alqueva. Passa literalmente pela barragem. E por mais que os anos passem, por mais que o Alqueva já esteja enraizado na paisagem alentejana, é sempre um postal maior. O maior lago artificial da Europa, uma albufeira com 250 km², mais de 1100 kms de margens e um dos melhores céus do mundo para observar estrelas. A região foi classificada como a primeira Reserva Dark Sky Portuguesa. Estrelas e não só. Diariamente há a possibilidade de fazer visitas guiadas ao céu da região, onde, entre outras coisas, se pode identificar as constelações e conhecer as suas lendas, relacionar a cor das estrelas com as suas idades, observar enxames de estrelas, nebulosas e galáxias distantes com a ajuda de telescópios. Ou mesmo fazer workshops de astrofotografia.

 

 

 

 

Fonte: Evasões.pt

 

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